quarta-feira, 21 de novembro de 2007

... e o tema do concurso de poesia gastronómica deste blogue é...

... bacalhau e caldo verde...

Sim, é isso mesmo! pensámos que escrever sobre o tempo e o amor já é bastante comum, já várias pessoas deram provas de o saber fazer... mas, será que conseguirão escrever um poema - longo ou curto, simples ou complexo, com e/ou sem rima - sobre Bacalhau e Caldo Verde?????

Resta esclarecer que estes temas foram seleccionados pela Clu e pelo MB... aliás, a ideia do concurso de poesia também foi deles, se lerem com atenção o post anterior...

Então, escolaugustos e cotovelianos (talvez com mais algumas surpresas), palas nos olhos, louros na cabeça e penas nas mãos...

Fica aqui o exemplo do pequeno Saul, sobre bacalhau:

"O bacalhau quer alho
é o melhor tempero
quem comer alho
fica rijo como um pêro"

O meu é muito modesto, a propósito do afamado Caldo Verde:

"Caldo verde, a tua couve
a boiar lá na panela
sonha com azeite virgem
com um suspiro à janela"


REGULAMENTO:


- os poemas sobre bacalhau e caldo verde devem ser postados no nosso blogue;
- os cotovelianos reunir-se-ão para deliberar sobre o poema vencedor;

- as obras a concurso podem ir de dísticos até epopeias :)
- o prazo para submissão dos gastronómicos poemas será até: 30 de NOVEMBRO;
- prémio: ainda não sabemos, mas estará relacionado com a Língua e a Cultura Portuguesa.


ATENÇÃO: Tendo em conta que os Cotovelianos se encontraraão no próximo dia 4 de Dezembro para deliberar acerca dos resultados, a data limite de deposição dos poemas gastronómicos alarga-se até esse dia.

7 comentários:

juanlusz disse...

Olá convivas, vamos pôr a mesa: toalha, talheres, guardanapos e copos. Já vêm aí os acepipes. Cheira bem! Bom apetite.
Ah, não queremos papa-jantares, hã?
Poema:
Caldo verde, caldo verde
em noites frias de Inverno
no teu saboroso inferno
o meu sentido se perde.
Bacalhau fiel, bacalhau fiel
quando te vejo no prato
esqueço deste mundo o fel
e só penso no teu trato.
Sericaia, sericaia
não foste à mesa chamada
mas refeição sem sobremesa
não é por mim apreciada ;-)

Quem é que vai levantar a mesa e lavar a loiça?

mariló disse...

Olá! Bom dia!
Eu tambén aceite o desafio e este e o meu poema gastronómico:

O Caldo Verde e o Bacalhau
andavam a disputar,
os dois pensavam que eram
o alvo do pessoal.

O Caldo Verde dizia-se:
"Hoje à noite triunfarei,
porque de entre todos os pratos
só eu serei o rei".

Enquanto isso, o Bacalhau
falava como ele próprio,
olhando para o espelho,
olhando-se bem nos olhos.

Dizia-se com voz meiga:
"Ninguém poderá hesitar
que sou o rei da mesa,
que sou o rei do jantar.

O Caldo Verde ouviu-o
e não pôde acreditar,
aquelas palavras cheias
de orgulho até fartar.

A raiva e o ciúme
preencheram a sua alma.
Tapetaram o seu espírito
como aos ursos os pêlos,
e sentiu em todo ele
essa dor de cotovelos,
que ao santo torna diabo,
que ao tranquilo faz nervoso
e que ao docílimo faz,
como uma mula teimoso.

"VINGANZA AO VAIDOSO".

Quando estavan là na mesa,
os dois prontos a agradar,
o Caldo Verde gritou:
"Bacalhau quero falar".

"Estou em pulgas, meu caro"
Respondeu com algo de apatia,
insuflando o seu peito,
na frente de uma melancia".

"Fala amigo, fala agora,
mas não te demores muito
de jantar é já a hora
e acrescenta o apetite".

Quando o ciumento Caldo Verde,
dispunha-se a falar,
veio ali um empregado,
o calo estava a cheirar.

E o cheiro era esquisito,
havia que o retirar,
pois o dono não queria,
o cliente rejeitar.

Trouxeram um outro caldo,
não me lembro se igual,
ou de carne ou de peixe,
ou cualquer outro manjar.
Mas o certo é que o coitado
ao lixo foi paarar.

CONCLUSÃO:

O Caldo Verde trocou
o pedestal pelo lixo,
e o Bacalhau na messa
conseguiu um posto fixo.

Mariló.

Pepe disse...

Olá! Vamos para isso. Os poemas culinários fazem cescer água na boca, mas hoje apenas podemos comer as palavras. Bom apetite.

Eu

Sonhei uma noite uma grande viagem
pelas águas de Terra Nova e Islândia,
cheguei até Noruega e Gronelândia
e, já cansado, em Labrador fiz paragem.

Visitei muitas e belas cidades,
alimentei-me de arenques e caranguejos,
deliciosos moluscos e nada de queijo,
conheci criaturas das profundidades.

No sonho pôde, sem querer, ouvir
que todos falavam na água na boca,
às vezes a comida era tão pouca
que os elogios eram para mim.

Acordei num pais desconhecido
entre pratos e caçarolas, que barulho!
Quis, mas não pôde, dar um mergulho:
um homem com gorro tinha-me retido.

Mais vozes, mais gritos, quanta agitação!
Um Gomes Sá! para a sete, um Grelhado!
À Alentejana! Com Molho! À Congregado!
No peito não parava o coração!

Iam, vinham, voltavam, já por mim?
Não compreendia nada daquela feira.
À Espanhola! Ao Forno! À Ericeira!
Quantos fatos! Muitos, muitos, quase mil.

Agora vejo. Sou eu. Sou internacional.
Dourado, em Açorda, Assado, daqui;
À Sevilhana, à Biscainha, dali.
E até á Francesa, à Inglesa ou à Provençal.

Gosto de ir de Batatas acompanhado,
não me importo também de Tomate,
com os meus amigos Mariscos, tate!
quer bem Cozido quer Albardado.

E já agora ilusão e entusiasmo ponho
por ver-me em todas as mesas,
estou na moda de Porto e à Portuguesa,
mas eu prefiro que seja en Sonhos.

mayte disse...

Adivinha adivinha
com os olhos fechados
Que tenho na pança
que nâo é salgado?
Adivinha adivinha
com o ovo descascado
que tenho na pança
que é um prato desejado.
Adivinha adivinha
com a salsa a cortar
que tenho na pança
que no Portugal é familiar.
Adivinha adivinha
com um apelido dourado
que tenho na pança
que no mar é bacalhau.

mb disse...

Bacalhau!

Bacalhau!
Tu és a via secreta
Tu és a via directa
Para a alma deste país de verão

Bacalhau!
Ao forno, à brás
e com batatas
Isso é que sabe
Aos Lisboetas

Bacalhau!
Do norte
Da profundidade
das águas norueguesas
Tu és a via secreta
Tu és a via directa
Para a alma dos Lisboetas

Esp disse...

Olá!

Parabéns a todos os participantes e, é claro, aos mentores da iniciativa muito muito original.

Sempre me gostava de imaginar a escrever um poema em alemão sobre um delicioso manjar... Seria indigestão certa!

Por fim,
Parabéns ao "Poeta Culinário" vencedor!!


Continuem que a língua portuguesa também é vossa...

mariló disse...

Sinto-me muito feliz porque gostaram do meu poema.O meu maior desejo é que todas as pessoas desfrutem e aprendam com os meus textos.Se consegui o meu alvo,esse é o meior premio. Muitíssima obrigada. Mariló